
Mágoa: lágrimas silenciosas, noites sem dormir e manhãs solitárias e sem sentido. Vai além da tristeza, da saudade, da vontade de lutar pelo que foi perdido, da raiva de não ter o que se quer, da pena de ter deixado um amor partir, por ser demasiado grande.
Primeiro às gargalhadas, depois grita-se, soluça-se em catadupas. Então, o pós-guerra, a rendição, a entrega de armas e as sentenças de um tribunal interior, em que o juiz é a vida, e o réu, o que fizermos dela. Limpam-se os destroços. Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos, que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos.
A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração. Mas o mundo nunca pára. Nada pára.
A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor.

Esta foi mais uma daquelas noites intermináveis....Estou tão cansada... de tudo correr da forma que menos espero, da perda de quem gosto, da desilusão estampada no rosto e dos sorrisos...(a fingir). Porque acho sempre que todos têm que pensar que estou bem? Estou farta de exigir tanto de mim! De ter no corpo um sentimento que não pedi e de chorar baixinho à noite para não entristecer ninguém. Tenho medo, um medo estúpido! Quando é que vou parar de achar que as estrelas têm segredos para me contar? Quando é que vou parar de cochichar com a almofada, de rir e chorar com ela?
Quando é que vou parar com tudo isto? Com as palavras, com as metáforas, com os sonhos?

Só pra constar... Pra variar não consigo cumprir o que prometo a mim mesma e chorei....